segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Minha rainha

Ó minha grande senhora e rainha: Noite!
Deixe que eu me enrede em sua trama
Que eu me deite em sua cama
e ali, pernoite.

Mostre-me teus mistérios
q'eu te mostro meus temores.
Arrebata minha lírica
q'eu liqüefaço nossas dores
sob a fumaça do último trago...

Quando abres tuas asas, ó noite
não há luz que não se atreva
à se orgulhar de ser estrela
e de ser dama da noite.

Então vem, noite!
E traz contigo o medo, o susto
a paranóia e a alegria
de poder trazer amanhã
outro dia.

domingo, 24 de agosto de 2008

Amigos

Amigos, Amigos...
Tenho muitos, mas quero mais.
Amigos como você...
... desses que nem em filmes não existem mais.

Não tenho nada.
Só amigos.
Mas, que posso eu querer mais?
Amizades que perduram
após a bira acabar.
Amigos que não exigem
recompensa ao se dar.
Amigos como você
sei que vou ter
até depois que mundo acabar.

Eu me CHAPLIM mermo! Que se FREUD!

sábado, 23 de agosto de 2008

Soneto da liberdade

Tiraram-me um peso das costas
e em troca, me deram a liberdade.
Mas, à quem devo gratidão?
à um demônio, ou à uma divindade?

Não sei. Nem quero saber
mas, uma coisa é verdade:
o peso que carreguei me completava
e agora, sem ele, sinto-me metade.

Mas não ficarei me lamentando
nem chorando pelos cantos
pois é o preço da liberdade.

E independente do valor
pago com orgulho pois sou
senhor da minha vontade.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eu lavo as minhas dores na vala da praia dos amores.

Atenção, atenção!

Parem o mundo!
Deletem todos os programas
depois desliguem tudo!
Desintegrem junto com as máquinas
seus sentimentos mesquinhos mais profundos!
Arranquem com suas garras de bicho-preguiça
a consciência programada que o sistema acoplou em seus cérebros de ervilha podre!...

...

...Se sobrar algo em meio ao vazio
joguem para as baratas, que
estas, mesmo sendo pragas
morrerão todas intoxicadas.

Atestado médico #15

Às vezes somos drogas
às vezes somos dores
às vezes somos flores
às vezes somos sobras.

Às vezes somos sombras
às vezes sombras mortas
às vezes idiotas
e quase sempre
(sem querer)
bons atores.

A gente espalha o sêmen da paz esporrando prá todo lado!

Carta à um xamã

Quando ouço uma canção
ouço um tambor lamentando
junto ao meu coração.

É o tambor da selva
que (velho sábio)
não nos tira sarro
por complacência.

São os lábios da mãe natureza
que (lânguidos e gastos)
ainda sorriem
mas, com frieza.

A frieza de uma puta
usada demais
e jogada na sarjeta.

domingo, 10 de agosto de 2008

A vida é bela, mas sentiria vergonha de sí mesma ao olhar-se no espelho.